domingo, 30 de março de 2008

Correntes de águas subterrâneas originaram cristas em Marte

Grandes correntes de águas subterrâneas tiveram um papel importante na formação de longas e estreitas cristas na região Valles Marineris de Marte, publica esta semana a revista científica "Nature".
Os pesquisadores do Instituto Lunar e Planetário de Houston (Estados Unidos) estudaram as imagens de Marte e deduziram que estas cristas, situadas em grandes falhas, teriam sido originadas pela sedimentação de minerais depositados pelas antigas correntes subterrâneas.
A região de Valles Marineris, que tem uma distância de 4 mil quilômetros e uma largura de 600 quilômetros, é o sistema de cânions mais conhecido no sistema solar, com profundidades que chegam a dez quilômetros.
Acredita-se que quando ocorreu a sedimentação nas falhas, entre 3,5 bilhões e 1,8 bilhão de anos, as águas tiveram que fluir perto da superfície, de modo que a deposição de minerais produzida pelas correntes deve ter tido um papel importante para a formação da região.
A erosão das paredes de Valles Marineris deveu-se, muito provavelmente, à sedimentação de minerais em correntes de água que fluíam ao longo de amplas distâncias.
As cristas, que se estendem por várias dezenas de quilômetros, estão intimamente associadas às zonas de falhas e aparecem paralelas ou entrecruzadas.
Por isso, os pesquisadores consideram que a água tinha que estar perto da superfície quando as cristas se sedimentaram. (Fonte: Yahoo!)

Plantio de árvores em Itu/SP pode entrar no "Guinness Book"

Milhares de pessoas fizeram um mutirão na quarta-feira 27/02/08 para plantar, em 45 minutos, 30.550 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica em duas áreas predeterminadas em Itu (103 km de SP), em um total de 11 hectares (cerca de 11 campos de futebol).Com a ação, a prefeitura anunciou ter quebrado o recorde mundial de plantio de mudas de árvores no período - o objetivo era plantar 25 mil mudas em uma hora.O pedido de oficialização do recorde será encaminhado à sede do "Guinness Book" ("Livro dos Recordes"), na Inglaterra.Itu quer superar Huntly, na Escócia, que plantou 18.124 árvores em 40 minutos. Cerca de 10 mil voluntários participaram, segundo estimativa da prefeitura - eram esperados 5.000. (Folha Online)

Mamona, Biocombustível e algumas considerações sobre uma Política para a Agricultura Familiar no Semi-Árido


Fernando Negret (*)
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O cultivo da mamona tem uma longa trajetória histórica no Brasil e na década dos 70 teve a sua maior importância quando a área cultivada chegou a 600 mil hectares. Na década de 1980 o Brasil ocupava a segunda posição mundial com uma participação de 26% da área cultivada e em 1999 estava reduzida a 8%, ocupando o terceiro lugar após a Índia e a China. Na atualidade esses dois países são responsáveis por aproximadamente 90% da produção mundial (1). A perda de competitividade do Brasil no mercado mundial é explicado por vários autores pela impossibilidade do produtor utilizar melhor tecnologia e insumos para a produção, incluindo a mecanização, sementes melhoradas, preparo da terra, plantio, colheita, armazenamento e comercialização.
Da mamona se obtém como principal produto o óleo e como subproduto a torta, a qual é utilizada como adubo. O óleo tem numerosos usos, dentre os quais se destaca sua utilização na fabricação de tintas, vernizes, cosméticos e sabões, bem como na produção de plásticos e fibras sintéticas. É reconhecido como lubrificante de alta qualidade dada a sua insuperável viscosidade, motivo pelo qual é usado em motores de alta rotação e de avançada tecnologia. Também é utilizado na fabricação de corantes, anilinas, desinfetantes, germicidas, óleos lubrificantes de baixa temperatura, colas e aderentes; serve de base para fungicidas, inseticidas, tintas de impressão, nylon e matéria plástica. São muitos os usos da mamona, incluindo as folhas da planta misturadas à forragem para alimentar o gado e como cobertura do solo e adubo natural para cultivos. (2)
Na atualidade a mamona tem conseguido novamente notoriedade no Brasil por conta da possibilidade de o óleo ser utilizado na produção de biocombustíveis. Essa alternativa bem sendo propalada pelo governo e têm criado enormes expectativas, particularmente nos agricultores familiares do nordeste e da Bahia, em cujo estado se produz hoje o 85% do total nacional. Entretanto, diversas opiniões discutem as possibilidades da mamona se tornar uma alternativa de renda viável sem afetar como monocultura o meio ambiente do semi-árido. Muitos pesquisadores defendem o uso de consórcios e a rotação de cultivos para um melhor manejo da terra.
Na revista de Política Agrícola, do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (3) se afirma que “O potencial brasileiro para a produção de biocombustíveis, que inclui o cultivo de oleaginosas e de cana de açúcar, é imensurável. No nordeste, além da cana de açúcar, é possível cultivar mamona, amendoim, gergelim, babaçu, entre outras oleaginosas. Somente para mamona existe uma área de mais de 3 milhões de hectares aptas ao seu cultivo”. Os mesmos autores afirmam “que considerando a necessidade de se aumentar, significativamente, o plantio de oleaginosas, será possível o assentamento de milhares de famílias, com uma perspectiva de negócios atraente”. (3 op.cit. p.32) No trabalho, “Biocombustíveis, uma Oportunidade para o Agronegócio Brasileiro” (4), no seu item “Estado Atual e Potencial das Principais Oleaginosas”, prevê-se uma expansão acentuada no plantio de estas culturas e afirma-se que o “mercado de óleos combustíveis será superior ao do etanol, em especial pela sua maior densidade energética“ (5). Nesse trabalho se assinala a necessidade de fazer mais investimentos em pesquisa para superar as deficiências tecnológicas e formular sistemas de produção sustentáveis. Igualmente se sugere a análise e estruturação dos segmentos das cadeias produtivas, adequando-as ao novo cenário, com o ingresso da demanda energética.
Segundo Sidnei Silva Suerdik (2006), no seu trabalho “Políticas Públicas de Fomento ao Biodiesel na Bahia e no Brasil: Impactos Sócio-Econômicos e Ambientais com a Regulamentação Recente” (6), a prioridade do Plano Nacional de Produção e Uso de Biodiesel – PNPB tem sido fomentar a ampliação da produção e o consumo em escala comercial do biodiesel como aditivo ao diesel petrolífero no Brasil. O programa tem enfoque na inclusão social e no desenvolvimento regional por meio da diversificação de fontes de matérias-primas vegetais e de regiões produtoras. A Lei 11.097, de treze de janeiro de 2005, instituiu juridicamente o início de implementação do PNPB, introduzindo o biodiesel na Matriz Energética Brasileira ao estabelecer a obrigatoriedade da adição de 2% desse biocombustível ao óleo diesel de origem fóssil no país a partir de 2008 (mistura também conhecida como B2). Tal regulamentação prevê ainda a ampliação da mistura obrigatória para 5% a partir de 2013. O autor assinala também que O PNPB busca assim, estimular a produção de biodiesel a partir de diferentes oleaginosas, incluindo, além da mamona e outras, a palma ou dendê, o girassol, o algodão e a soja.
Recentemente foi concluída uma pesquisa encomendada pelo Instituto de Permacultura da Bahia – IPB realizada nos municípios de Umburanas, Ourolândia, Cafarnaum e Morro do Chapéu, do semi-árido do Estado, principal região produtora de mamona do país. A pesquisa foi realizada junto aos monitores e Agentes Comunitários Rurais – ACRs do projeto Policultura no Semi-Árido desenvolvido por esse instituto e que recebeu o premio de Melhor Tecnologia Social 2007 da Fundação Banco do Brasil. Além de agricultores, os monitores são também assistentes técnicos de quase mil famílias que praticam a policultura e na sua maioria são produtores de mamona. Essa atividade lhes há permitido aos monitores e ACRs conhecer muito bem a problemática da agricultura familiar e as dificuldades para tornar esse cultivo uma verdadeira alternativa para melhoria das condições de vida de numerosas famílias nordestinas. Dentre as diversas perguntas formuladas aos monitores e ACRs sobre as suas práticas agro-ecológicas e as dos agricultores aos quais dão assistência, lhes foi consultado o papel que a mamona desempenha nos campos de policultura e na economia familiar e sobre as falências e necessidades que impedem que a mamona funcione melhor no seu processo produtivo global, incluindo a comercialização. As respostas são muito ilustrativas da situação real da mamona no âmbito da agricultura familiar.
Cabe ressaltar em primeira instância que as respostas demonstram claramente a importância da mamona na renda desses agricultores, já que a maioria dos entrevistados a considera como o único produto orientado exclusivamente para a comercialização e apoio financeiro da família. Entretanto, são diversos os problemas mencionados como obstáculos pelos entrevistados para que a mamona cumpra o papel sócio-ambiental que poderia cumprir no semi-árido sendo matéria prima para a produção de tantos derivados, incluindo o biocombustível. Nesse sentido, a opinião mais representativa dos entrevistados considera como principal problema a instabilidade dos preços e por esse motivo ocorre um desestímulo periódico para plantar mamona. Esse fato é comprovado hoje pela escassez atual do produto no mercado nacional.
Uma pesquisa complementar sobre o comportamento dos preços da mamona foi realizado junto a um importante comprador ou atravessador na região e, segundo ele, no período de existência do Real desde 1994, a variação dos preços de compra por ele oferecidos por um quilo de mamona foi desde um mínimo de R$ 0,16 (centavos de real) até um máximo de R$ 1.50 (um real e cinqüenta centavos). Essa variação de 937% ou de quase 10 vezes o valor de um quilo, mostra com evidência as dificuldades e o desestímulo que podem experimentar os agricultores familiares. No momento da pesquisa, em dezembro de 2007, o quilo de mamona estava sendo pago na região a R$ 1.00, nos meses anteriores estava a R$ 1.30. A perspectiva é que os agricultores continuem plantando e a tendência do preço continue a baixa.
Nesta recorrente situação de preços instáveis, que traz como conseqüência dificuldades periódicas para os agricultores e uma oferta incerta da matéria prima, parece razoável refletir sobre uma política de estabilização mediante a garantia de um preço socialmente justo. Talvez se pudesse pensar num novo programa de “Bolsa Trabalho” ou de “Bolsa Produção” para incentivar a agricultura familiar, nos moldes do programa da “Bolsa Família” e, por meio do qual, os agricultores mais pobres pudessem receber um subsídio para garantir um preço estável de compra e a produção permanente da mamona. Um programa desse tipo não teria o caráter de um subsídio assistencialista, na medida em que se estaria estimulando o trabalho e a produção.
É amplamente conhecida a antiga e árdua luta que o Brasil e os países em desenvolvimento tem livrado contra os enormes subsídios que os países capitalistas desenvolvidos fornecem a seus ricos agricultores, já de por si favorecidos pelos avançados recursos tecnológicos a sua disposição. Além disso, sabe-se que esses processos produtivos são grandes consumidores de combustíveis fósseis e em essa medida pouco contribuem ao clima global do planeta. Então, caberia perguntar-se se não é socialmente justo e ambientalmente correto subsidiar as famílias dos agricultores mais pobres do Brasil para a produção de uma matéria prima que pode contribuir a combater o aquecimento global mesmo sendo ainda baixo o balanço energético do processo da produção do biocombustível.
O denominado balanço energético “estabelece a relação entre o total de energia contida no biocombustível e o total de energia fóssil investida em todo o processo de produção desse biocombustível, incluindo-se o processo agrícola e industrial. Somente culturas de alta produção de biomassa e com baixa adubação nitrogenada, como a cana de açúcar e dendê, tem apresentado balanços energéticos altamente positivos (media de 8,7). No caso do biodiesel de mamona, o balanço energético é baixo (<2), o que poderia ser melhorado mediante a seleção de variedades para alto rendimento e substituição e ou redução da adubação nitrogenada com o uso de leguminosas-adubos verdes em rotação ou consórcio ” (7) .
As sugestões anteriores para alcançar um balanço energético mais favorável na cultura da mamona, já estão sendo aplicadas nas unidades de produção dos monitores e agricultores participantes do projeto da policultura na Bahia. Além da inexistência de processos mecanizados para preparar a terra, a adubação e a cobertura vegetal do solo se faz com leguminosas plantadas por eles mesmos, incluindo a palha da própria mamona e o material orgânico dos restos das outras culturas.
Segundo a opinião de alguns dos entrevistados na pesquisa e as visitas de campo realizadas, a mamona não se cultiva muito em consórcio porque é uma planta “egoísta” que se desenvolve melhor cultivada “solteira” ou sozinha. O fato de se realizar o cultivo da mamona de maneira individual e não em consórcio eleva os custos de manejo do cultivo e do produto final, além do impacto sobre o desgaste do solo. Esses aspectos de caráter técnico também podem ser considerados para justificar uma política de apoio aos agricultores familiares para a produção da mamona.
Adicionalmente deve ser considerado que nas condições atuais de produção dessa cultura, no âmbito da agricultura familiar no nordeste, o valor da força de trabalho representa 80% do custo de produção (8). Esse fato significa na realidade uma sobre-explotação da força de trabalho familiar, pois boa parte da energia investida no processo produtivo é a força de trabalho dos membros da família, incluídos mulheres e crianças como de fato acontece na cultura da mamona e nas outras culturas. Esse é um motivo a mais para se formular e implantar uma política pública que incorpore a “Bolsa Trabalho” e se subsidie os custos de produção da mamona dos agricultores mais pobres.
Entretanto essa política pública para apoiar a produção da mamona não pode considerar unicamente os aspectos relativos à estabilidade dos preços. Deve levar em consideração outros aspectos levantados como críticos pelos próprios agricultores e também por pesquisadores da cultura da mamona. Alguns defendem com razão a necessidade de evitar a monocultura desse cultivo, promover novas alternativas de produção e a expansão da policultura para garantir a produção de alimentos, promover um melhor manejo dos solos e contribuir para uma tendência a sustentabilidade no semi-árido.
Com relação ao conteúdo de uma política de apóio a mamona, além da majoritária opinião sobre o problema de instabilidade dos preços, uma parte considerável dos consultados opina que é indispensável fornecer aos produtores mais conhecimentos e assistência técnica, bem como cursos de treinamento e capacitação sobre os diversos aspectos do processo de produção. É indispensável considerar que os agricultores devem ser treinados, capacitados e assistidos para que o balanço energético da produção do biocombustível da mamona melhore e seja ainda mais favorável. Esse é um aspecto formativo e educativo fundamental que deve se tornar um propósito em todos os processos de produção de biocombustíveis para contribuir realmente ao clima global do planeta.
Ainda no âmbito da pesquisa dos monitores e agricultores, outros entrevistados mencionam a necessidade de organizar a produção coletiva ou associada, dada a perda de recursos para o agricultor com a presença do comerciante intermediário ou atravessador no processo de comercialização. Outras opiniões referem-se à necessidade de melhorar as sementes da mamona e a conveniência de construir postos de compra ou depósitos para tirar o atravessador no caminho da comercialização.
Desta forma, a política pública de apoio à produção da mamona deverá incorporar a mobilização e organização dos produtores em associações, de maneira que essas entidades coletivas funcionem como centros de referência e pontos de apoio para os próprios processos de treinamento e formação técnica, bem como lugares de intercambio de conhecimentos e de experiências nas práticas agro-ecológicas e na vida social.
Outras sugestões advindas dos entrevistados mencionam à necessidade de contar com financiamento para o plantio, o qual seria a própria “Bolsa Trabalho” ou “Bolsa Produção” e que de fato deve constituir o eixo da política. Sugere-se com razão a necessidade de agregar valor localmente a mamona mediante a sua industrialização. Essa idéia refere-se á construção nas regiões de mini-usinas para esmagamento e obtenção do óleo, o qual seria uma fonte nova de emprego com maior especialização e perspectiva de trabalho para os jovens, que em geral continuam emigrando da região.
Convém ressaltar que o fato de existirem tão diversas sugestões demonstra que uma política pública de apoio à produção da mamona, implica vários aspectos como os já comentados e que incluem, entre outros, um mecanismo financeiro para a estabilização dos preços; a capacitação e assistência dos produtores para melhorar o processo produtivo e o balanço energético; a organização coletiva ou associada para a produção e comercialização buscando evitar os atravessadores; a melhoria das sementes da mamona e a sua efetiva distribuição entre os agricultores; a construção de postos de compra e depósitos que podem estar localizados nas sedes das entidades associativas e a construção de usinas regionais para o esmagamento da mamona e a agregação de valor para a geração de emprego. Todas essas idéias foram sugeridas pelos próprios produtores de mamona, as quais demonstram tanto as diversas necessidades e a complexidade de uma política pública para apoiar o seu cultivo, bem como o conhecimento que os produtores têm da sua própria realidade e problemática sócio-ambiental e da esperança de uma vida melhor a partir do trabalho e da produção.
Finalmente cabe mencionar, que além de todos esses aspectos indispensáveis para que a mamona se constitua numa verdadeira alternativa de renda para melhorar as condições de vida dos agricultores familiares, é necessário contar com a disponibilidade de água, na medida em que o rendimento do cultivo depende da intensidade das chuvas, as quais são cada ano mais escassas. Infelizmente e como o afirmou um agricultor “as chuvas não dependem dos homens, nem de uma política pública”. Esse impedimento de ordem maior somente será resolvido assumindo e trabalhando para o futuro numa idéia já lançada há algumas décadas por um visionário considerado loquaz: “irrigar as terras potenciais do nordeste com água da bacia amazônica”. Na realidade essa idéia tem sido retomada recentemente pelo Gabinete de Assuntos Estratégicos do Governo Lula e embora tenha sido criticada mesmo como uma ação para o futuro, é verdade que as demandas das próximas décadas de alimentos e de biocombustíveis no planeta justificarão um dia os estudos para essa obra de manejo e condução de águas. O propósito desses estudos deverá ser a viabilidade sócio-ambiental das obras, de forma que a condução das águas seja ambientalmente racional e socialmente beneficie as populações pobres do semi-árido.
Referências Bibliográficas
1 - O Agronegócio da Mamona no Brasil. Ferreira dos Santos, Roberio, Et.al. Ministério da Agricultura. 2 - Op.Cit.3 - Peres Rodrigues, José Roberto. Et.al. Biocombustíveis. Uma Oportunidade para o Agronegócio Brasileiro. Revista de Política Agrícola.. Ano XIV No. 1. 2005. pg. 31. Ministério de Agricultura. Brasília4 - Peres Rodrigues, José Roberto. Et.al. Biocombustíveis. Uma Oportunidade para o Agronegócio Brasileiro. Revista de Política Agrícola.. Ano XIV No. 1. 2005. pg. 31. Ministério de Agricultura. Brasília5 - Peres Rogrigues, José Roberto. Op.Cit. P. 366 - Silva Suerdik, Sidnei. “Políticas Públicas de Fomento ao Biodiesel na Bahia e no Brasil: Impactos Sócio-Econômicos e Ambientais com a Regulamentação Recente”. Bahia Análise & Dados. Salvador, v. 16, n. 1, p. 65-77, jun. 2006 7 - Urquiaga, Segundo, et.al. Produção de Biocombustíveis. A Questão do Balanço Energético. Revista de Política Agrícola. Ano XIV No. 1/2005. Ministério de Agricultura. Brasília.8 - Kouri, Joffre; Dos Santos Ferreira, Robério. Mamona. Aspectos Econômicos. Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas. Embrapa. Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. * Consultor e pesquisador, coordenador do Mestrado em Desenvolvimento Regional das Faculdades Alves Faria. ALFA. Leia do mesmo autor: Compensação dos Serviços Ambientais aos Agricultores Familiares e Inclusão SocialA “única via” possível na Terra

Cursos de graduação na área ambiental crescem 822%

O que era interesse de poucos virou preocupação de muitos e a área ambiental deixou de ser especialidade para se tornar curso de graduação. Desde o ano 2000, o crescimento no número de cursos com esse perfil no País foi de 822%. A quantidade de alunos pulou de cerca de mil para mais de 10 mil nesse período. E os formandos em busca de emprego em áreas como Gestão Ambiental, Controle Ambiental e Saneamento Ambiental, que sequer existiam há oito anos, já passam dos 2.200.Segundo o levantamento do Ministério da Educação (MEC), feito a pedido da reportagem, as vagas em vestibulares em 11 cursos da área cresceram mais de 1.000% desde 2000. Os números mais recentes são de 2006 e mostram 8.377 vagas em universidades públicas e particulares no País. Em 2000, eram 732.Muitos dos cursos ambientais surgiram dentro da nova modalidade de graduação, os cursos tecnológicos, com formação mais rápida (em menos de quatro anos), menos acadêmica e voltada para o mercado de trabalho. Além da criação de novos cursos, os que já existiam foram reestruturados e até mudaram de nome para atender as demandas ambientais recentes. (Yahoo Brasil)

Organismos biológicos provocam chuva e neve, diz estudo

Organismos biológicos têm um importante papel na formação da chuva e da neve, segundo um estudo publicado na quinta-feira (28) na revista "Science".A descoberta destes seres vivos e sua importância no ciclo da água poderiam ajudar os pesquisadores a realizarem prognósticos mais precisos sobre o tempo e ter uma melhor compreensão da relação entre a biosfera e o clima, garantiram os autores do estudo.Estes organismos poderiam ser utilizados até para levar chuvas a zonas áridas, afirmou o principal autor, Brent Christner, da Universidade de Louisiana.Não é novidade para os cientistas que para a formação dos cristais de gelo nas nuvens, que depois se transformam em chuva ou em neve, são necessárias partículas chamadas nucleadores de gelo.No entanto, até agora não se sabia que a maioria das partículas ativas que participam deste processo é de seres vivos.Christner e sua equipe não determinaram ainda o volume de precipitação que pode se formar graças a estes organismos.Mas encontraram uma presença mais forte destas partículas na neve recolhida na França do que na do norte do Canadá e da Antártida. Estas podem ser liberadas pela radiação do sol ou pela poeira levantada da terra, que são levadas pelo vento.O fato de as partículas terem sido encontradas em amostras de neve da Antártida demonstra que elas podem se deslocar por grandes distâncias, afirmou Christner. (Folha Online)

Cientistas identificam gene que faz plantas 'resistirem' à seca

Cientistas americanos e finlandeses afirmam ter identificado um gene nas plantas que, se modificado, pode torná-las resistentes à seca.Os pesquisadores da Universidade de Helsinque disseram que o gene controla a quantidade de dióxido de carbono absorvida pelos vegetais e a evaporação de água na atmosfera.No estudo, publicado na revista Nature, os especialistas afirmam que as plantas desempenham um papel crucial da regulação da atmosfera ao absorver o carbono do ar.Ao seqüestrar o gás através de poros minúsculos encontrados nas folhas, chamados estomas, as plantas depois liberam vapor de água.Em climas extremamente secos, uma planta pode perder até 95% de sua água desta forma.Primeiro passo - Os especialistas dizem que há décadas a ciência vem tentando descobrir o material genético que controla a ação dos estomas.Agora, eles afirmam ter identificado o gene que controla a abertura e o fechamento dos poros.Os pesquisadores avaliam que, com isso, será possível modificar as plantas para que continuem absorvendo o carbono, mas reduzam a eliminação de água, possibilitando sua sobrevivência em condições de seca.O professor Jakko Kangasjarvi, um dos pesquisadores envolvidos no estudo, disse que o trabalho é apenas "o primeiro passo"."Isso abre muitas possibilidades", afirmou. "Ainda estamos muito longe de concretizar as intervenções genéticas, mas antes dessa pesquisa não havia qualquer indício de um gene que poderia ser modificado. Agora temos o alvo."Por enquanto, os experimentos foram realizados em alguns tipos de agrião, mas os cientistas dizem acreditar que a estrutura genética é a mesma em várias plantas que produzem comida, como o arroz.Acredita-se que possíveis técnicas de modificações genéticas para controlar a evaporação de água nas plantas poderão ser comercializadas só daqui a 20 anos. (Estadão Online)

Seis perguntas para o pescador de Arembepe (BA) que defende o meio ambiente com arte

Uma árvore morta transforma-se em arte e, mais que isso, num alerta, pelas mãos do pescador Servílio Viana (ao lado), morador de Arembepe (BA). Aos poucos conquistando notoriedade em razão da beleza de suas peças, esculpidas a partir de madeira abandonada, árvores desmatadas e “coqueiros depredados pela ação irracional do homem”, esse sujeito simples dissemina preciosas lições de vida.“A sociedade foi moldada a acumular riquezas e este é o maior inimigo da natureza - o Capitalismo. Por isso, ainda sobrevivo da pesca”, coloca o pescador/artista. Isso não significa, porém, que ele viva alienado de possibilidades tecnológicas como a internet. Servílio, conhecido como Swell, mantém um bem atualizado blog - arteservilioviana.blogspot.com -, por meio do qual divulga suas obras e, muitas vezes, desabafos. Na entrevista a AmbienteBrasil que se segue, ele comenta essa trajetória. AmbienteBrasil – Como começou esse seu trabalho de fazer arte com materiais obtidos da natureza? Servílio Viana - Começei a esculpir num dia de dificuldade. Ao passear pela praia, estava preocupado em alimentar minha família, rezava muito e pedi a Deus uma luz. Logo, achei uma madeira que o mar jogava na areia, parecia um rosto de homem; chegando em casa dei-lhe alguns retoques e fui para a Pousada Fazenda, de um amigo, onde um casal francês estava hospedado. Eles adoraram a escultura e decidiram comprá-la, por um bom preço. Assim, começei as criações de esculturas em madeiras abandonadas, árvores desmatadas, coqueiros queimados. AmbienteBrasil – Qual a mensagem que você quer transmitir por intermédio de suas obras? Servílio - A Arte de dar vida ao que está morto. O homem, como os outros animais, deve cuidar de seu habitat ou morrerá com ele. AmbienteBrasil – Hoje, você consegue viver de sua arte? Servílio - Viver da arte inspira a cultura e a sociedade, ao longo de sua formação, foi moldada a acumular riquezas. Este é o maior inimigo da natureza - o Capitalismo. Por isso, ainda sobrevivo da pesca. AmbienteBrasil – O poder público – Estado da Bahia e/ou prefeituras – incentiva seu trabalho de alguma maneira? Servílio - Até então, participei de um evento da Secretaria de Cultura de Camaçari - À Caminho da Ternura - e estou aguardando resposta para a exposição que está prevista para março na Cidade do Saber - Camaçari. Paralelamente, a Millennium Inorganic Chemmicals S.A., indústria privada, me apóia na doação de materiais e na criação do meu book. AmbienteBrasil – De que formas a comunidade de Arembepe te ajuda? Servílio - Algumas pessoas ajudam no trabalho, doando materiais. Alguns comerciantes, como o Restaurante Mar Aberto e o Mercado Fonseca, também participam na doação de materiais. A pessoa que mais tem me apoiado é minha cunhada, Myriãn Tavares (na foto ao lado, pintando o “grande tótem da Gameleira” na Praça de Arembepe). Todos participam na conscientização ambiental e preservação da escultura que fiz na Grande Gameleira (Pé de Irôco). Localizada na Praça das Amendoeiras em Arembepe, é considerada sagrada para os devotos do Candomblé. Acredita-se que os negros preferiam o suicídio ao viverem escravizados; assim, davam uma volta ao redor da grande Gameleira oferecendo suas almas para que fossem libertadas pelos orixás. Essa Gameleira foi tema de uma matéria da revista Vilas Magazine, onde eu fiz um apelo que repito: a outra Gameleira irá morrer, a reurbanização (da praça) a sufocou; peço às autoridades que a libertem do concreto que mata suas raízes. Amo minhas artes, mas não quero ter que repeti-las em outras árvores. AmbienteBrasil – Qual a sua avaliação sobre a relação dos seres humanos hoje com o meio ambiente?Servílio - A nossa construção destrói a natureza. É sinal de que algo está errado. Se não corrigirmos a tempo, a natureza fará a seu modo. Na foto abaixo, o Grande Tótem na Majestosa Gameleira, pé de Irôco que morreu depois da "reurbanização" da Praça das Amendoeiras, em Arembepe.
Mônica Pinto / AmbienteBrasil