domingo, 30 de março de 2008

Governo antecipa criação de órgão para revitalizar bacias hidrográficas em evento na Câmara

Fernanda Machado / AmbienteBrasil (*)
¨
A âmara dos Deputados estará promovendo a “Semana da Água”, com o tema “De olho na água”. A iniciativa partiu da Frente Parlamentar Ambientalista, sob o comando do deputado Sarney Filho (PV/MA) e do coordenador do Grupo Água, deputado Jorge Khoury (DEM/BA).
¨
objetivo da Frente Ambientalista é reunir o Congresso e a sociedade civil para um grande debate sobre o gerenciamento dos recursos hídricos no Brasil.
¨
esta segunda-feira – na abertura da programação –, a Câmara Federal realizou sessão solene para apresentação do “Jogo das Águas” – uma proposta educativa voltada para o público infanto-juvenil, produzido pelo Núcleo de Gestão Ambiental da Câmara (Ecocâmara) e por representantes do site Plenarinho, mantido pela Casa.
¨
Sessão foi presidida pelo deputado Arlindo Chinaglia (PT/SP) e contou com a presença do coral infantil da Escola das Nações de Brasília, com representantes de comunidades tradicionais e de organizações não-governamentais. Participaram também o secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente, Luciano Zica, e o diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), José Machado.
¨
m seu discurso, Chinaglia voltou a falar sobre o plano nacional de revitalização das bacias hidrográficas brasileiras, que, segundo ele, deverá ser desenvolvido neste ano, e citou outro instrumento a ser aplicado para melhorar as condições dos mananciais brasileiros - a PEC 524/02 -, que cria fundo de revitalização do rio São Francisco.
¨
presidente da Câmara apresentou ainda uma série de indicadores para demonstrar a situação dos recursos hídricos no Brasil.
¨
m entrevista exclusiva a AmbienteBrasil, o secretário Luciano Zica falou sobre os principais desafios do governo em 2008 no âmbito desse tema.
¨
egundo ele, a Secretaria de Recursos Hídricos vai trabalhar na criação de um departamento de revitalização de bacias hidrográficas, haja vista a situação dramática de boa parte delas no país, com um quadro de matas ciliares devastadas. “Esperamos concluir este ano a elaboração de um plano de ação do governo que atue na revitalização de bacias, como no programa paranaense ‘Cultivando Água Boa’, em torno do Lago de Itaipu”, disse ao portal.
¨
Luciano Zica antecipou ainda que uma das metas da Secretaria é trabalhar com a valorização da recuperação florestal, seja na regulamentação de legislações vigentes, seja na aprovação de outras relativas a biomas como a Caatinga, o Cerrado e o Pantanal.
¨
“E, consolidando esse arco de proteção legal, pretendemos aprovar uma matéria para complementar o arcabouço do saneamento ambiental – a Lei de Resíduos Sólidos, que compromete, sobremaneira, os recursos hídricos no Brasil.
Não há como dissociar a boa gestão das águas com a boa gestão dos resíduos sólidos”, defendeu Zica.
¨
O diretor da Agência Brasileira de Meio Ambiente e Tecnologia da Informação (Ecodata), Donizete José Tokarski, também falou com exclusividade a AmbienteBrasil. Para ele, a participação popular é imprescindível para a conservação das águas no Brasil. “É necessário uma conscientização e uma mobilização da sociedade para que todos participem da formação dos Comitês de Bacias, e, consequentemente, que esta atue na implementação desses comitês.
¨
Assim, cada bacia hidrográfica terá seu ordenamento jurídico e um fórum deliberativo para atender os interesses das comunidades que vivem às margens das bacias”.
¨
De acordo com Donizete, neste ano de eleição, é importante que os futuros prefeitos e vereadores apresentem um plano de governo voltado às questões dos recursos hídricos.
¨
“O cumprimento das deliberações dos Comitês de Bacias é que vai garantir água em quantidade e qualidade suficiente para nossa sobrevivência”, alerta.
¨
A programação da Câmara inclui também debate sobre gestão e conservação da água no Brasil, e audiência pública em comemoração ao “Dia Mundial da Água”, com a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
¨
(*) Correspondente em Brasília (DF).

Entulho deverá ter plano de gerenciamento de resíduos em Curitiba/PR

A imagem de tijolos, telhas e concreto abandonados em terrenos baldios e aterros irregulares, ainda comum em Curitiba (PR), pode ter um fim próximo.
¨
A partir de julho, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente passará a exigir do setor da construção civil um plano de gerenciamento dos resíduos. Assim, quem for construir ou transportar entulhos terá de identificar os tipos de materiais, propor um sistema de separação e especificar como se dará a destinação final.
¨
A multa varia de R$ 620 a R$ 62 mil, dependendo da quantidade de resíduos em situação irregular.
¨
Quem reformar a casa e gerar o equivalente a mais de cinco carrinhos de mão de lixo (meio metro cúbico) terá de contratar uma empresa para recolher.
¨
Nesse caso, o cidadão tem de se certificar que a empresa esteja licenciada e possua um plano de gerenciamento. “A orientação é que, ao contratar uma caçamba, se exija a licença ambiental.
¨
Se a empresa tem licença, faz a destinação correta”, diz o superintendente de controle ambiental da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Mário Sérgio Rasera.
¨
Os resíduos não podem ser levados ao aterro sanitário. As transportadoras têm a opção de fazer um aterro, desde que obtenha autorização, ou encaminhar o material a empresas de reaproveitamento.
¨
Duas destas empresas estão instaladas na região metropolitana de Curitiba. “Enquanto não tinha tecnologia disponível não era possível (dar correta destinação final)”, afirma Rasera.
¨
Os entulhos podem ser reaproveitados, desde que não sejam misturados com materiais tóxicos. Partes de tijolo, de telhas e argamassa podem servir na pavimentação de vias públicas.
¨
O entulho também pode ser moído e aproveitado como reboco.
¨
Muitas empresas ainda despejam resíduos em áreas de fundo de vale ou terreno baldio. Pesquisa orientada em 2007 pela professora Maria Cristina Braga, do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná, comprovou a irregularidade. Depende de onde o motorista queira deixar. A destinação correta dos resíduos não sai caro, bastaria um operário fazer a separação do que pode ser aproveitado.
¨
Segundo ela, uma empresa de Curitiba que tem programa de gerenciamento de resíduos recolhe os recicláveis e o dinheiro da venda vai para uma conta de poupança. No final do ano, o dinheiro é rateado.
¨
O diretor de Meio Ambiente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado do Paraná (Sinduscom-PR), Thiago Guetter, considera positiva a exigência do plano de gerenciamento. “É para evitar desperdício e pode gerar economia”.
¨
Ele diz que as empresas estão se adequando e que muitas já fazem a separação, mas lembra que mais da metade dos resíduos é gerada por pequenas construções informais.
¨
Para o procurador de Justiça Saint-Clair Honorato dos Santos, o destino final de resíduos da construção civil não é bem controlado.
Segundo ele, há uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que os municípios devem seguir. “No geral o resíduo não é bem tratado”.
¨
O MP está cobrando dos municípios planos de gerenciamento dos resíduos sólidos, em que devem constar, por exemplo, o destino dos resíduos da construção civil.
¨
(Gazeta do Povo/PR)

RMC e os desafios para salvar a água: Hora de atacar as causas ao invés das conseqüências!

Edson Luiz Peters (*)
¨
A qualidade de vida de uma cidade ou região é diretamente proporcional ao estado das águas que a irrigam.
¨
A analogia é simplista mas serve de inicial alerta: para se saber o estado de saúde de um individuo o primeiro exame que o médico costuma requisitar é sanguíneo, pois a composição do sangue evidencia liminarmente a presença ou ausência de alguma doença ou carência que compromete a saúde geral do paciente.
¨
Assim é com a cidade: basta colher algumas amostras das águas que circulam nos cursos urbanos para se saber como anda a saúde da cidade.
¨
A mesma água que falta para muitos para as necessidades prementes da vida sobra para outros nas tragédias das enchentes e inundações que assolam as grandes cidades e Regiões Metropolitanas.
¨
O que parece ser um problema distante para quem olha o planeta é um drama diário para quem vive ou sobrevive no sertão árido ou nas regiões atingidas pelas secas no interior do Brasil.
¨
A Região Metropolitana de Curitiba é caracterizada pelas áreas de manancial, pelas nascentes de importantes rios, pelas várzeas do Rio Iguaçu e, mais recentemente, pelas APA’s do Passaúna e Irai e outras vulnerabilidades ambientais.
¨
Além disso, temos uma das maiores reservas de água subterrânea do planeta: o Aqüífero Karst.
¨
Em contraste, já somos mais de três milhões de habitantes vivendo neste pedaço do Paraná e pressionando diuturnamente os recursos naturais. Dito de outra maneira, um terço da população vive em menos de 10% do território do Estado.
¨
Como resultado direito desta concentração humana e da falta de saneamento está a contaminação dos cursos d’água, desde os pequenos até o Iguaçu, evidenciando a falta de consciência da população por um lado e a inércia do Estado por outro.
¨
Na outra ponta está consumo crescente da mesma água contaminada, que tem de ser cada dia mais tratada com alta dose de caros produtos químicos para chegar potável aos “clientes” da SANEPAR.
¨
O que está em jogo não é somente a vida das gerações vindouras, mas a vida, a saúde e o bem-estar das presentes.
¨
É típico do Estado Brasileiro, e o Paraná não é diferente neste aspecto, a prática de atacar as conseqüências ao invés de ir às causas do problema. Assim o Governo gasta muito mais para “limpar” a água que vem poluída dos rios do que para preservar as fontes.
¨
Não obstante a Política Nacional de Recursos Hídricos já ter completado uma década, o Paraná segue atrasado na implementação dos Comitês de Bacias e na cobrança efetiva pela extração da água e lançamento de efluentes, isto é, na gestão de seus recursos hídricos.
¨
A poluição hídrica generalizada na RMC é a prova maior da falta de capacidade pública para conter a degradação e é também evidência da falta de educação ambiental.
¨
Também o formalismo jurídico-ambiental e a falta de política ou de implementação da mesma impedem o rompimento do ciclo de degradação das águas que se dá com as invasões desenfreadas das áreas de manancial e margens de rios, que ocorrem do dia para a noite e demoram anos para serem resolvidas com grande investimento de dinheiro público em realocações de famílias, regularizações fundiárias e construção de conjuntos habitacionais.
¨
Se não houver educação para a sustentabilidade e redução das desigualdades sociais absurdas não haverá nunca dinheiro público suficiente para despoluir, pois na medida em que se soluciona uma situação outras duas ou três se formam.
¨
Assim também é como o lixo.
¨
Enquanto cada família não fizer a sua parte (separando, reciclando, etc) não há Poder Público que de conta de coletar, transportar e destinar de forma adequada seus resíduos.
¨
Soma-se a tudo a falta de planejamento e de investimentos suficientes no sistema de saneamento básico.
¨
Os resultados da repressão são inexpressivos para a melhoria das condições ambientais. A legislação ambiental de caráter meramente proibitivo e restritivo não alcançou e não alcançará os resultados que alguns ainda esperam.
¨
É imperioso estimular. Educar para formar consciência ambiental é o caminho mais seguro, econômico e eficaz para vencer o desafio de salvar a água nossa de cada dia e garantir às gerações futuras vida saudável.
¨
* É promotor de Justiça e integra o Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Ambientais da Região Metropolitana de Curitiba, do Ministério Público do Paraná.

Bacia Hidrográfica do São Francisco: Urbanização, Poluição e Saneamento Ambiental

Maurício Novaes Souza (*)
¨
A humanidade enfrenta problemas de degradação ambiental que remontam no tempo.
¨
O meio ambiente, que sempre desempenhou sua função depuradora com eficiência, encontra-se hoje excessivamente sobrecarregado pelas atividades antrópicas: sofre o risco de exaustão dos seus recursos, não conseguindo em determinadas situações, recuperar-se por si só. Porém, considerando os modelos de produção e desenvolvimento que priorizam a maximização econômica em detrimento à conservação ambiental, a busca de melhores soluções que as atuais parecem estar distantes de ser encontrada.
¨
Relacionado aos ecossistemas aquáticos, particularmente a partir da década de 1960, a água vem se tornando um fator cada vez mais crítico para o desenvolvimento econômico e social de longo prazo, bem como para a sustentabilidade ambiental.
¨
Os indicadores demonstram que o Brasil é a maior potência hídrica do mundo; entretanto, a escassez de água nos anos recentes, associada aos lamentáveis episódios de contaminação de rios, lagos e acumulações subterrâneas, além dos conflitos entre usuários competidores, conduziu à formulação, em bases inteiramente novas, da política para o setor de recursos hídricos.
¨
Nos dias atuais, percebe-se que o crescimento urbano e industrial, tão propalado, nem sempre significa desenvolvimento humano: particularmente nos países em industrialização, vem acompanhado de desigualdade de acesso aos itens básicos necessários a uma sobrevivência digna, tais como à educação, à alimentação e à saúde.
¨
O acesso da população à saúde passa, incondicionalmente, pelo binômio abastecimento de água/saneamento básico.
¨
Contudo, o que se tem verificado, é a ausência do planejamento territorial das áreas a serem ocupadas. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, a taxa de crescimento anual da população urbana chega aos 3,5%, vindo acompanhada de realidades preocupantes.
¨
Uma delas é a formação de cinturões de pobreza, como na região da Bacia do rio das Velhas, importante e maior afluente do rio São Francisco, dado à carência de serviços de infra-estrutura e de moradia adequada a um nível mínimo de condições de vida.
¨
Dessa forma, a falta do saneamento nas cidades, em níveis mínimos que assegurem o bem-estar das populações, tem gerado um quadro de degradação do meio ambiente urbano sem precedentes, sendo os recursos hídricos um dos primeiros elementos integrantes da base de recursos naturais a sofrer tais efeitos.
¨
Por esta razão, não há curso d’água ou lago que esteja próximo ou que passe por alguma cidade que não esteja poluído, sendo o grau de poluição diretamente proporcional à população e ao nível de atividade produtiva da cidade.
¨
Entre os impactos ambientais da urbanização se destacam quatro que afetam diretamente a quantidade e a qualidade dos recursos hídricos:
¨
a) as derivações de água, quando ainda não deterioradas, e a devolução via o esgotamento sanitário sem tratamento do efluente final;
¨
b) as impermeabilizações da superfície natural;
¨
c) a disposição inadequada do “lixo”; e
¨
d) os alargamentos e os desvios do leito dos rios, alterando o regime hidrológico e desprotegendo as vegetações ciliares das margens contra o risco de inundações.
¨
Tais impactos exercem uma demanda importante sobre quatro serviços básicos:
¨
a) o abastecimento de água;
¨
b) o esgotamento sanitário;
¨
c) a disposição final do “lixo”; e
¨
d) a drenagem urbana.
¨
Os objetivos a alcançar seria a eficiência nos quatro serviços, além do uso eficiente e racional da água e de evitar-se quaisquer formas de degradação dos mananciais. Isso porque é por intermédio de veiculação hídrica que se propagam doenças, tais como a gastrenterite, o cólera, a leishmaniose, a malária e a esquistossomose, as moléstias diarréicas, e ainda, sob certas circunstâncias, a hepatite e a salmonelose, responsáveis pela morbidade e mortalidade de um grande número de pessoas, principalmente crianças.
¨
Na verdade, rios, lagos e mares são o destino final dos esgotos.
¨
Com o crescimento da população e da atividade industrial, a qualidade dos ecossistemas aquáticos vem em muitos casos se deteriorando progressivamente. Nas diversas bacias do estado de Minas Gerais, são comuns grandes áreas com desmatamento e queimadas desde as nascentes, que provocam o assoreamento dos rios, além do desvio de água cada vez maior para projetos de irrigação, em sua maioria sem planejamento e manejo.
¨
No caso da bacia do rio São Francisco, a cada ano tem diminuído perigosamente o seu volume de água e a navegação já não se faz em determinados trechos e em determinadas épocas do ano, como em janeiro deste ano de 2008.
¨
No tocante à retirada predatória das matas ciliares do rio, influi diretamente nas cheias ocasionais.
¨
Sem a vegetação, com o solo descoberto, a água chega velozmente à calha do rio, acumulando-se e aumentando o pique de cheia e a conseqüente redução na recarga dos aqüíferos.
¨
No Estado de Minas Gerais, a bacia do rio São Francisco cobre 504 cidades e, praticamente, nenhuma delas possui saneamento básico.
¨
Todo o esgoto doméstico e industrial in natura é lançado diretamente ao rio, além dos dejetos industriais e agroindustriais.
¨
Assim, o estado de degradação em que o rio se encontra representa a real situação de como o país vem efetivamente administrando seus recursos naturais.
¨
Tal bacia, de extrema importância para a economia nacional, possui uma demanda total de água de 224 m3s-1, sendo o principal consumidor a irrigação, responsável por 71,4% dessa demanda.
¨
Devido à grande expansão da agricultura irrigada, como na bacia do rio Paracatu, sérios conflitos têm surgido.
¨
Nas bacias dos rios Paraopeba e das Velhas, conforme as conclusões do Diagnóstico do fluxo de sedimentos em suspensão na bacia do rio São Francisco (ANEEL/ANA, 2006), são os que apresentam maior concentração média de sedimentos em suspensão.
¨
Esta questão é extremamente complexa, posto que a análise das informações apresentadas nesse diagnóstico indica que as ações de racionalização do uso da água no setor industrial devem ser priorizadas na bacia do rio das Velhas, por representar mais de 50% do uso da água industrial de toda a bacia.
¨
No município de Nova Lima, as indústrias siderúrgicas e de mineração são responsáveis, também, por poluição atmosférica.
¨
Cabe considerar que tais resíduos acabam tendo como depósito final o solo e a água.
¨
O Plano do rio das Velhas, recentemente estabelecido e ainda em fase de adaptações, possui uma característica adicional relevante, que é a de compreender metas progressivas de melhoria dos serviços de saneamento ambiental, especialmente, a melhoria dos níveis de atendimento por rede coletora e a consolidação das estações de tratamento de esgotos.
¨
Estabeleceu-se como o objetivo final priorizar a revitalização hidroambiental da bacia em suas características bem próximas às originais e a reaproximação do homem que a habita, melhorando significativamente a qualidade de vida de todos.
¨
Fica uma pergunta: tem-se o que comemorar neste dia 22 de março de 2008 - Dia Mundial da Água?
¨
Penso que ainda seja cedo para comemorações, apesar das inúmeras iniciativas governamentais e organizacionais. Por exemplo, ainda recentemente ocorreu mortandade de peixes no Rio das Velhas, identificada na altura do município de Jequitibá.
¨
Mobilizadores, como “Os Amigos do Rio”, que fazem parte do Monitoramento Ambiental Participativo (MAP) desenvolvido pelo Projeto Manuelzão, em parceria com a Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM) e a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), vêm contribuindo para a mitigação de tais circunstâncias, investindo em projetos de educação ambiental.
¨
Há de se considerar a primeira etapa do Plano Estadual de Recursos Hídricos (PERH), já concluído, que vem sendo apresentado à população por meio de reuniões em todo o estado de Minas Gerais.
¨
O PERH é um projeto que visa estabelecer diretrizes para o planejamento e controle do uso da água em Minas Gerais.
¨
Até o momento, foi feito um levantamento de toda a história da gestão de recursos hídricos do estado. Na divulgação da real situação das águas, a ser feita pelo IGAM, acontecerá também o lançamento da segunda fase do plano, prevista para começar ainda nesse ano de 2008.
¨
Nessa etapa, o PERH vai tratar da quantidade e qualidade das águas no estado mineiro e, a partir daí, ações e metas deverão ser implementadas em prol de uma melhor gestão desses recursos.
¨
Na verdade, cada um tem sua parcela de responsabilidade na recuperação de uma bacia.
¨
A Agência de Bacia pode ser um dos caminhos. Cada Comitê de Bacia Hidrográfica tem representantes da sociedade civil, poder público e empresas que atuam na região. São eles que elaboram as ações para a revitalização do rio, que a Agência procura executar.
¨
Porém, apesar de extremamente importantes, poucos comitês em Minas possuem Agências de Bacia.
¨
Instrumentos de Gestão, como a outorga e a cobrança pelo uso da água, encontram-se, nesta fase da consolidação do Sistema Nacional de Recursos Hídricos, em pleno estágio de aprimoramento.
¨
Uma imensa série de novas idéias se tem colocado nos mais diversos foros de debate que se realizam no Brasil. Por fim, há de se considerar, que o modelo de gestão a ser adotado deverá ser estratégico: sistêmico, preditivo e adaptativo, com igual ênfase em medidas estruturais e não estruturais.
¨
A nova gestão das águas deverá ser aperfeiçoada com os instrumentos legais disponíveis e o conjunto de ações para proteção, recuperação e conservação de águas superficiais e subterrâneas, que incluem instrumentos legislativos e sistemas de taxação e incentivos adequados.
¨
Considerando as condições atuais da bacia do rio São Francisco e de seus afluentes, investir no saneamento dos municípios melhorará a qualidade de vida da população, bem como a proteção ao meio ambiente urbano, além de gerar emprego e renda para a população beneficiada.
¨
Contudo, a revitalização do rio São Francisco não virá apenas com obras, mas com opções e atitudes. Uma dessas será devolver à natureza os serviços ambientais em que foi substituída por processos tecnológicos.
¨
Combinado com políticas de saúde e habitação, investimentos em saneamento ambiental diminuirão a incidência de doenças e internações hospitalares, sendo este um dos fatores componentes do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de um país.
¨
Além disso, melhorando a qualidade ambiental, que é condição básica para se atingir o Desenvolvimento Sustentável, toda a bacia se tornará atrativa para investimentos externos, podendo inclusive desenvolver sua vocação turística.
¨
* Engenheiro Agrônomo, mestre em Recuperação de Áreas Degradadas e Gestão Ambiental e doutorando em Engenharia de Água e Solo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). É professor do CEFET - Rio Pomba, coordenador dos cursos Técnico em Meio Ambiente e Pós-graduação em Agroecologia e Desenvolvimento Sustentável. É conselheiro do COPAM e da SEMAD - Zona da Mata, MG. mauriciosnovaes@yahoo.com.br.

Indústria de chuveiros elétricos diz que produto poupa muito mais água do que aquecimento a gás ou solar

Nos últimos anos, o chuveiro elétrico – uma invenção brasileira - tornou-se um equipamento doméstico constantemente em xeque. É apontado como um vilão do consumo de energia, o que aumentaria as necessidades do país nesse campo, resultando na demanda por novas hidrelétricas, com seus conhecidos impactos ambientais e sociais.
¨
No dia 12 passado, a indústria do setor mostrou-se disposta a reagir. Em São Paulo, na sede da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), foi lançada a cartilha "Uso Eficiente do Chuveiro Elétrico". Uma ação do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial), elaborada em conjunto com o GCA (Grupo de Chuveiros Elétricos da Abinee), a publicação traz dicas de como adquirir, instalar, usar e manter corretamente um chuveiro elétrico e incentiva a economia de energia e água, graças à correta utilização do eletrodoméstico (clique aqui para baixar a cartilha em PDF).
¨
Ao largo dessas informações mais técnicas, o Grupo de Chuveiros Elétricos da Abinee lançou na mesma data um site, cujo conteúdo claramente volta-se a reverter essa má imagem que foi se construindo em relação ao produto – na comunidade ambientalista, bem entendido, posto que o mercado não sofreu até hoje qualquer abalo.
¨
No portal - www.banhoeconomico.com.br -, o contra-ataque baseia-se justamente em um trunfo de forte apelo ambiental. Nele, o chuveiro elétrico é apresentado como “a forma de aquecimento de água que mais economiza água (tratada), bem cada vez mais escasso no planeta".
¨
"Nos aquecedores por acumulação (solar, elétrico ou gás) ou de passagem (gás), a água só fica quente depois que toda a água fria que estava nos canos ter sido desperdiçada e jogada no esgoto.
¨
Além disso, a água quando fica quente alcança altas temperaturas e é preciso abrir o registro de água fria para temperar a água e atingir uma temperatura agradável, ou seja, ainda mais água e energia são desperdiçadas no processo.
¨
Nos aquecedores instantâneos (chuveiros elétricos), ao abrir o registro a água já sai quente no ponto de uso, numa temperatura escolhida pela pessoa", explica o texto.
¨
Além disso, registra o site, o chuveiro elétrico tem uma vazão de 3 litros por minuto.
¨
Aquecedores de passagem a gás só se mantém em funcionamento com pelo menos 7 litros por minuto e os de acumulação ou solar têm uma vazão de 10 a 12 litros por minuto de água.
¨
"Uma família de quatro pessoas que utiliza chuveiro elétrico para banho tem uma economia mensal de mais de 3 mil litros de água em comparação a um aquecedor de passagem a gás e de 5 mil litros em relação a um de acumulação ou solar", garantem os fabricantes, informando ainda que a Comissão de Mudanças Climáticas da Comunidade Européia defende no seu site que o chuveiro elétrico é a melhor solução para se economizar água na hora do banho (confira texto em Português ou em Inglês).
¨
“O chuveiro elétrico foi escolhido como o bode expiatório na crise energética de 2001”, disse a AmbienteBrasil Carlos Alexandre Cella, diretor do Grupo de Chuveiros Elétricos da Abinee. “Era preciso arrumar um culpado por tudo de errado que o Governo fez”.
¨
Para ele, o consumidor brasileiro, ao ter seu poder aquisitivo aumentado nas últimas décadas, incorporou aos confortos domésticos uma série de aparelhos, nascidos também de tecnologias até então inexistentes.
¨
É o caso dos computadores, fornos de microondas, freezers e outros. Além disso, é comum ver nas residências hoje várias TVs. O Governo Federal não teria se preparado devidamente para esse aumento de demanda, observada também e principalmente na Indústria Brasileira, que experimentou significativo avanço.
¨
Para piorar o quadro, o desperdício de energia no Brasil é inaceitável – e os prédios públicos costumam dar maus exemplos -, assim como o roubo.
¨
A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) calcula que as concessionárias percam em torno de 5,5 bilhões de reais por ano, em função de ligações clandestinas na rede, os chamados “gatos” .
¨
Crescimento
¨
O site recém-lançado informa ainda que o chuveiro elétrico brasileiro é um item poderoso na pauta de exportações - nos últimos cinco anos, 69 países compraram o produto fabricado no Brasil.
¨
Em 2006, as vendas para o exterior somaram mais de US$ 11,7 milhões, conforme dados de agosto de 2007, da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio.
¨
Essa bem-aventurança do setor talvez não dure muito tempo. Só na Inglaterra, operam hoje doze fábricas; na Alemanha, outras quatro. Vai se estabelecendo, assim, uma concorrência coerente com a lógica da globalização.
¨
O exemplo lamentável vem do outro lado do mundo. Segundo Carlos Alexandre, na China já se vende chuveiro elétrico brasileiro falsificado, produto “pirata” que explora ilegalmente a referência de qualidade conquistada pelo setor no mercado internacional.
¨
Mônica Pinto / AmbienteBrasil

Dez mandamentos da economia de água

1 - Quando estiver lavando pratos com a mão, não deixe a água escorrer enquanto enxaguando. Encha uma vasilha com água de lavar e outra com água de enxaguar.
2 - Coloque a funcionar sua máquina de lavar louças ou roupas quando estiverem cheias. Você pode economizar 3.600 litros de água por mês.
3 - Use uma vassoura no lugar de uma mangueira para limpar suas calçadas e economize água, tempo e dinheiro.
4 - Se o seu chuveiro enche um vasilhame de 5 litros em menos de 15 segundos, troque-o por um mais eficiente.
5 - Reduza o seu tempo de banho em 1 ou 2 minutos e você economizará até 540 litros de água por mês.
6 - Ao usar a lavadora de roupa, verifique o nível da água para a carga da máquina.
7 - Feche a torneira enquanto escova os dentes e economize até mil litros de água por mês.
8 - Feche a água enquanto você ensaboa seus cabelos e economize até 500 litros de água por mês.
9 - Feche a torneira enquanto faz a barba e economize até mil litros de água em um mês.
10 - Lave seu carro sobre o gramado e você molhará a grama ao mesmo tempo.
¨

Das águas da Terra, apenas 2,5% são doces e, destas, mais de dois terços não estão disponíveis para consumo humano.

O Brasil detém cerca de 12% da água doce disponível no mundo, porém mais da metade (54%) desse total localiza-se na Amazônia e na bacia do rio Tocantins, onde está a menor população por quilômetro quadrado do país.
¨
Essa situação faz com que metrópoles dos estados do Sul, Sudeste e Nordeste brasileiros sejam obrigadas a buscar água em mananciais cada vez mais distantes, devido à poluição das águas por dejetos humanos e industriais e ao assoreamento de rios, lagos e represas, a um custo que aumenta exponencialmente e com danos ao meio ambiente.
¨
Cada nova represa e reservatório de água provoca desmatamento e, assim, contribui para diminuir o ciclo das chuvas e a quantidade de água doce disponível nessas regiões.
¨
Para o consultor Paulo Costa, o problema vem de cima. "Se os prédios públicos, as escolas e hospitais adotassem medidas racionalizadoras, seria, além de um belo exemplo para a sociedade, uma economia gigantesca no gasto da água”, diz.
¨
Além disso, com o dinheiro economizado, esses órgãos poderiam investir em campanhas de conscientização através de ações educativas junto à comunidade, esclarecendo sobre as maneiras de evitar o desperdício, as formas de economizar e as fontes alternativas para a captação de água, bem como a diferenciação dos usos, visto que, para algumas atividades não há necessidade de utilização de água tratada.
¨
É aí que entra outro componente marcante do desperdício. O engenheiro Paulo Schaefer, diretor comercial da empresa AcquaSave, acredita que, aos poucos, o brasileiro está entendendo que a água que cai nos telhados deve ser mais bem aproveitada antes de sumir pelos ralos.
¨
“Há cinco anos, falar em aproveitamento de água de chuva no Brasil era coisa só para ecologistas; hoje é uma realidade, e as empresas e pessoas físicas já constroem pensando neste uso.
¨
O desperdício habitual precisa dar lugar ao uso inteligente da água”, afirma Schaefer. Alguns estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Paraná estão adotando ou já implantaram a lei de retenção da água de chuva como medida para amenizar os impactos causados pela impermeabilização do solo urbano, que impede que a chuva se infiltre no solo ou evapore.
¨
O sistema Acquasave de aproveitamento de água de chuva já foi implantado em diversos complexos como o aeroporto Santos Dumont e o estádio João Havelange, no Rio de Janeiro, no Hotel Sofitel Guarujá (SP), e em diversos hotéis da rede Íbis.
¨
Disponível para uso residencial, em condomínios, galpões e fábricas, o sistema viabiliza que as águas de chuva captadas possam ser utilizadas na higienização de bacias sanitárias, limpeza de pisos, lavagem de carros e outras atividades que não exigem água potável.
¨
Segundo estatísticas, essas ações representam cerca de 50% do consumo das águas nas cidades.
¨
“O aproveitamento e o manejo correto da água de chuva e a instalação de telhados verdes são passos importantes para compensar os efeitos da impermeabilização crescente nas cidades”, afirma Jack Sickermann, especialista em aproveitamento de água de chuva.
¨
Dessa forma, a água de chuva não corre pelas ruas, não carrega lixo nem poluentes, evitando doenças e amenizando os impactos sobre as cidades.

Mônica Pinto / AmbienteBrasil * Com informações de diversas Assessorias.